Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Galliformes
Família: Cracidae
 Rafinesque, 1815

Composição

26 Espécies

Fotos | Sons

Cracidae

Cracidae é uma família da ordem galliforme que inclui as aves conhecidas popularmente no Brasil como mutum (gêneros Crax e Pauxi), jacu (gênero Penelope), jacutinga (gênero Aburria) e aracuã (gênero Ortalis). O grupo habita sobretudo as zonas tropicais e subtropicais da América do Sul, América Central e América do Norte até o México; a espécie Ortalis vetula, no entanto, chega a incluir em sua área de distribuição o estado americano do Texas.

Assemelham-se morfologicamente aos seus parentes distantes, os faisões e perdizes européias e asiáticas (pertencendo, tal como estes, à ordem dos Galliformes), diferindo deles, no entanto, pelo fato de preferirem habitats florestais aos campestres, nidificarem em árvores, e não no chão, e terem uma alimentação mais frugívora do que granívora. Os cracídeos são importantes dispersores de sementes e aparentemente têm um papel fundamental em manter a floresta tropical através da dispersão de suas plantas preferidas (Guix e Ruiz 1997, Sedaghatkish et al. 1999). Dispersão de sementes é o fenômeno onde as sementes de plantas e árvores são dispersas por certas animais que comem a semente e a excreta em outras áreas da floresta onde a semente então germina. A predação de semente é o termo dado ao processo onde os animais comem a parte reprodutiva das plantas, portanto, impedindo sua regeneração.

Enquanto os aracuãs e jacus tendem a regenerar a floresta através da dispersão de sementes, os mutuns parecem ser principalmente predadores de sementes, ajudando assim a manter a densidade populacional de plantas e árvores sob controle (e.g. Caziani e Protomastro 1994,Érard et al. 1991, Érard e Théry 1994, Théry et al. 1992), embora os mutuns possam dispersar sementes mais duras (e.g., Santamaria y Franco 1994, Peres e van Roosmalen 1996), não se tem ainda um conhecimento muito forte desta dinâmica de dispersão e predação de sementes. Por exemplo, potencias destruidores de sementes como Penelope obscura podem simultaneamente espalhar sementes vivas e matar insetos parasitas que contaminavam as sementes (Guix e Ruiz 1997). Alguns cracídeos podem predar pesadamente sua espécie de flor preferida, impedindo a formação de frutos. Por exemplo, flores de Tabebuia spp. são um alimento preferido de jacus, jacutingas e aracuãs na estação seca no Pantanal, e as aves certamente produzem um impacto na demografia destas árvores (F. Olmos, in litt.).

Todas são espécies cinegéticas, e algumas em vias de extinção.

Ameaças à Sobrevivência dos Cracídeos

Pressão de Caça

Os cracídeos são muito caçados por toda a região neotropical. Muitos estudos mostraram a predominância deles como fonte de proteínas para camponeses e populações indígenas nativas (e.g. Ojasti et al. 1983, Silva e Strahl 1991, 1997a, Begazo 1997, Brooks 1999). Estes estudos revelaram fatores importantes relacionados ao declínio das populações destas aves – caça não sustentável. O declínio populacional local e extinção de muitas espécies de cracídeos (Aburria, Mitu, Crax) devem-se em grande parte à caça, quando o habitat é praticamente não perturbado (F. Olmos in litt.). As populações locais costumam caçar os cracideos com o intuito de consumir a carne destes e tambem para criarem como animal de estimação, visto que os ovos destes não são consumidos e sim chocados por galinhas. Por possuírem elevado conhecimento acerca da fauna e flora local, essas populações tem aperfeiçoado suas técnicas de caça, tais como: arapucas, apitos de madeira ou playback (sendo que ambos reproduzem a vocalização da ave), caça com cachorro (sendo que estes possui eficiência de identificar e assustar os cracideos), e outras técnicas mais avançadas como armas de fogo, principalmente a espingarda. Os caçadores empregam técnicas como a espera em pontos de “bebida” - locais com disponibilidade de água usados pelos jacus - onde eles deixam um pouco de comida para atrair o animal, facilitando a caça. Uma das principais justificativas para a prática da caça são as relações conflituosas, haja visto que as espécies dessa família representa uma ameaça às roças de feijão e milho por se alimentar das mesmas, as destruindo assim e, consequentemente, reforça os conflitos existentes a nível local entre a conservação da espécie e o uso local para as atividades produtivas. Embora reconheçam o crescente desaparecimento dessas espécies de áreas onde era encontrado no passado, os caçadores alegam ser a seca, o desmatamento e o uso de agrotóxicos os principais responsáveis por este declínio da espécie.

Destruição de Habitat

Como espécies de florestas primárias (especialmente jacus e mutuns), os cracídeos são particularmente suscetíveis à destruição de habitat. As espécies com distribuição restritas são mais vulneráveis, como as espécies endêmicas de jacus e mutuns. Em conjunto com a caça, a destruição de habitat contribuiu significativamente para o declínio de cracídeos nas últimas décadas.

Espécies

Referências

Disponível em: http://www.cracids.org/AP_Port_ebook.pdf Acesso em 27 jul. 2011

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